Israel desafia acordo entre EUA e Irã e divulga mapa de território ocupado no Líbano
MUNDO – Israel divulgou nesta quinta-feira (18) um mapa mostrando a área ocupada por suas tropas no sul do Líbano, reforçando a intenção de manter uma zona de segurança dentro do território libanês mesmo após o acordo de paz firmado entre Estados Unidos e Irã.
A publicação ocorreu horas depois de uma ação militar israelense no sul do Líbano e amplia as tensões em torno do entendimento negociado por Washington, que prevê o fim dos confrontos em diferentes frentes da região e o respeito à soberania territorial libanesa.
Israel quer manter zona de segurança no sul do Líbano
Segundo as Forças de Defesa de Israel, o mapa mostra a chamada Zona de Segurança, estabelecida para proteger comunidades do norte do país contra ataques do grupo Hezbollah.
De acordo com o comunicado militar, as tropas israelenses permanecem posicionadas em uma faixa localizada a cerca de 10 quilômetros da fronteira entre os dois países.
“As Forças de Defesa de Israel estão posicionadas na Zona de Segurança, a cerca de 10 km dentro do território libanês, devido a requisitos operacionais”, informou o Exército israelense.
O governo de Israel afirma que a presença militar continuará enquanto houver ameaças à segurança da população da região norte do país.
Acordo entre EUA e Irã prevê respeito à soberania do Líbano
O acordo firmado entre Estados Unidos e Irã na quarta-feira (17) estabelece o encerramento das hostilidades em diferentes áreas do Oriente Médio e prevê garantias de integridade territorial e soberania para o Líbano.
Apesar disso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem rejeitado pedidos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a retirada das tropas israelenses do território libanês e a suspensão dos bombardeios.
Negociações entre Israel e Estados Unidos seguem difíceis
Autoridades israelenses ouvidas pela agência Reuters afirmaram que continuam as negociações entre Israel e Estados Unidos sobre a manutenção das tropas no sul do Líbano.
Segundo as fontes, as conversas têm sido difíceis e o governo israelense considera que o acordo negociado por Washington não atende plenamente às preocupações do país em relação ao programa nuclear iraniano e à atuação do Hezbollah.
As autoridades também indicaram que Israel não pretende recuar da posição de manter forças militares mobilizadas na região.
Divergências entre Trump e Netanyahu vieram a público
Nos últimos dias, as divergências entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu tornaram-se mais evidentes.
O presidente norte-americano admitiu ter discutido com o premiê israelense sobre a condução das operações militares no Líbano. Trump também criticou ataques realizados em áreas urbanas de Beirute e demonstrou insatisfação com a continuidade das ofensivas.
Em declarações recentes, o líder dos Estados Unidos chegou a sugerir alternativas para conter o Hezbollah sem ampliar os danos à população civil.
Hezbollah permanece no centro da disputa
A justificativa apresentada por Israel para a manutenção da zona de segurança está relacionada à atuação do Hezbollah, grupo político e militar apoiado pelo Irã e considerado uma das principais ameaças à segurança israelense.
Enquanto o governo israelense defende a continuidade da presença militar no sul do Líbano, setores da comunidade internacional acompanham com atenção os desdobramentos do acordo de paz e as negociações em curso entre Washington, Teerã e Tel Aviv.
A divulgação do mapa evidencia que a implementação do acordo ainda enfrenta obstáculos e que as tensões envolvendo Israel, Líbano, Irã e Estados Unidos continuam influenciando o cenário político e militar do Oriente Médio.

